Estupro, roubos, assassinatos: Os crimes da ditadura escondidos por Cyro Etchegoyen
26 de abril de 2026 • por Juliana Dal Piva, Igor Mello e Chico Otavio “Dr. Bruno – baixo, meio gordo, tipo sírio-libanês. Pareceu-me o oficial mais graduado do grupo (coronel). Defendeu tese na Escola Superior de Guerra, segundo me contou. É gaúcho”. Foi assim que a ex-presa política Inês Etienne Romeu descreveu o primeiro dos 20 homens que a violentaram por 91 dias na “Casa da Morte”, o maior cárcere clandestino da ditadura militar, localizado no morro Caxambu, em Petrópolis, região Serrana do Rio. Por mais de quatro décadas, o codinome “Dr Bruno” escondeu o coronel Cyro Guedes Etchegoyen, ex-chefe da seção de Contra-Informações do gabinete do ministro do Exército no governo do ditador-presidente Emilio Garrastazu Médici. A atuação do coronel foi revelada por um antigo subordinado, o tenente-coronel Paulo Malhães, em 2014. Só que, ao ser descoberto como um dos chefes do centro clandestino criado pelos militares para torturar e desaparecer com opositores, o coronel Cyro já tinha m...