Sob Trump, dobra o número de brasileiros deportados
Com um voo por semana sendo organizado pelo governo americano, número de deportados brasileiros supera a marca de 3 mil pessoas
Dobrou o número de brasileiros deportados dos EUA com a chegada de Donald Trump ao poder, há um ano. Já os voos organizados para expulsar os imigrantes ao Brasil aumentaram em mais de 130% em 2025, em comparação ao ano de 2024.
Os dados fazem parte de um relatório produzido pela entidade Human Rights First, que passou a monitorar a operação sem precedentes de expulsão de estrangeiros dos EUA. No total, o levantamento revela que 2,2 mil voos foram realizados a partir de aeroportos americanos com imigrantes que foram devolvidos a seus países de origem.
O debate sobre a deportação ganhou uma dimensão de crise e de confrontação nas últimas semanas, com violência por parte dos agentes do ICE – a polícia de imigração dos EUA. O assassinato de Renee Good por um dos policiais, em Minneapolis, levou milhares de manifestantes às ruas das principais cidades do país no último fim de semana.
No governo Trump, porém, a ordem é a de acelerar as prisões e intensificar as deportações. No caso do Brasil, o país terminou 2025 como o 11o maior destino da operação de expulsão. Todos os dez primeiros colocados são países latino-americanos.
Se entre janeiro e junho o governo americano realizava em média dois voos por mês com brasileiros deportados, a frequência dobrou a partir de julho. Num dos meses avaliados pela entidade, cinco voos chegaram a ser realizados para o Brasil.
“Em dezembro de 2025, autoridades americanas realizaram quatro voos de deportação para o Brasil, o mesmo número de voos do mês anterior, elevando o total de 2025 para 37 voos”, explicou a Human Rights Watch.
A estimativa é de que mais de 3.000 brasileiros retornaram ao Brasil como deportados dos Estados Unidos desde janeiro de 2025 – mais que o dobro do número em 2024, quando o governo Biden deportou 1.600 brasileiros em 16 voos.
“Os voos de deportação para o Brasil têm ocorrido em rotas que envolvem vários países e que, desde agosto, partem de Alexandria, Louisiana, realizando deportações para a Colômbia antes de seguir para o Brasil”, explica.
“Essas rotas resultam em voos mais longos, durante os quais os indivíduos permanecem fisicamente contidos durante toda a viagem”, alertou.
Inicialmente, os voos de deportação dos EUA para o Brasil pousavam no Aeroporto Internacional de Fortaleza, mas desde agosto de 2025 passaram a pousar no Aeroporto Internacional Confins-Tancredo Neves, em Belo Horizonte.
Angústia
A ofensiva contra a comunidade brasileira nos EUA tem deixado centenas de pessoas em condições de profunda tensão. Famílias relatam angústia e o medo constante de sair às ruas. Muitos optaram por retornar voluntariamente ao Brasil, indicando que não estariam dispostos a viver escondidos ou temendo passar meses nas prisões americanas.
Segundo o levantamento, o Brasil também foi usado como rota por aviões com imigrantes de outras nacionalidades. Em dezembro, pelo menos três voos fretados que saíram dos EUA com destino aos aeroportos da Colômbia fizeram paradas no Brasil.
Os voos de remoção para a Argentina envolveram também rotas com escalas em vários países, incluindo paradas de remoção no Peru, Equador ou Brasil.
Deportação em massa sem precedentes
De acordo com o estudo, desde que assumiu o cargo em 20 de janeiro de 2025, o governo Trump tem implementado uma agenda de deportação em massa sem precedentes.
“Autoridades americanas adotaram uma série de novas táticas, questionáveis do ponto de vista legal e inegavelmente cruéis, para atingir esse objetivo, incluindo a expansão do uso de deportações sumárias, o envio de pessoas dos Estados Unidos para centros de detenção offshore na Base Naval Americana de Guantánamo, a revogação de status legais de proteção, o desaparecimento de pessoas sem o devido processo legal — inclusive para uma prisão de segurança máxima em El Salvador, notória por tortura —, o aumento da fiscalização interna e a transferência forçada de indivíduos para outros países dos quais não são cidadãos”, explicou.
“Muitas dessas ações foram consideradas ilegais por tribunais federais e realizadas com pouca ou nenhuma transparência, enquanto milhares de vidas são desenraizadas de suas comunidades em todo o país, famílias são separadas e seus direitos são sistematicamente violados”, alertou.
Os números são reveladores da dimensão da operação.
13,7 mil voos de fiscalização imigratória e transporte de imigrantes foram realizados nos EUA em 2025. 8.521 seriam voos internos entre cidades americanas, levando estrangeiros para centros de detenção longe de onde foram inicialmente pegos. Esse número representa um aumento de 114% em relação a 2024.
Em 2025, os voos para fora do país também atingiram um recorde, com 2.201 casos e um aumento de 41% em relação a 2024.
O número de países de destino dos voos de deportação aumentou em todas as regiões durante o segundo mandato de Trump, com a África Subsaariana e a Ásia registrando o maior aumento em relação aos anos anteriores. O governo Trump realizou voos de deportação para um número sem precedentes de 79 países em 2025 — um aumento de 76% em relação ao mesmo período de 2024, quando houve 45 destinos de deportação.

Artigo publicado originariamente no site do ICL notícias por Jamil Chade
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