Oportunidades para a fruticultura brasileira surgidas com o acordo Mercosul - UE

O acordo entre o Mercosul e a União Europeia representa um divisor de águas para a fruticultura brasileira, setor que já é um dos mais dinâmicos do agronegócio nacional. O aprofundamento dessas oportunidades passa por três pilares principais: redução de custos, ganho de competitividade e segurança jurídica. Aqui estão os pontos principais sobre como esse acordo beneficia o setor: 1. Eliminação de Tarifas de Importação Atualmente, muitas frutas brasileiras enfrentam tarifas ao entrar na Europa que variam de 10% a 20%. Com o acordo: Acesso Imediato: Produtos como melões, papaias, melancias e mangas devem ter suas tarifas zeradas assim que o acordo for plenamente implementado. Uvas e Maçãs: Essas frutas, que possuem maior valor agregado, também terão cronogramas de desoneração, tornando o preço do produto brasileiro muito mais competitivo frente a concorrentes como o Chile ou a África do Sul. 2. Reconhecimento de Indicações Geográficas (IGs) Este é um dos pontos mais estratégicos do acordo. A União Europeia passará a proteger e reconhecer oficialmente as IGs brasileiras. Isso significa que produtos como o Melão de Mossoró (RN) ou a Manga do Vale do São Francisco ganham um selo de qualidade e exclusividade no mercado europeu. Isso impede que outros países usem esses nomes e permite que o produtor brasileiro cobre um premium pela origem e qualidade certificada do produto. 3. Harmonização de Normas Sanitárias e Fitossanitárias Um dos maiores desafios da fruticultura é o rigor técnico da Europa quanto a resíduos de defensivos e pragas. O acordo cria comitês técnicos para agilizar a resolução de barreiras burocráticas. Isso traz mais previsibilidade para o exportador, reduzindo o risco de cargas serem retidas nos portos europeus por divergências de interpretação de normas. 4. Sustentabilidade como Diferencial (ESG) Como o acordo Mercosul-UE exige o cumprimento de metas ambientais (como o Acordo de Paris), a fruticultura brasileira — que já investe pesado em certificações como GlobalGAP e uso eficiente de água (irrigação por gotejamento) — sai na frente. O selo de "produção sustentável" será o passaporte definitivo para as grandes redes de supermercados da Alemanha, França e Países Baixos. 5. Logística e Processamento O acordo não beneficia apenas a fruta "in natura". Existe uma grande oportunidade para: Sucos de frutas tropicais: Redução de tarifas para sucos que hoje pagam altos impostos. Frutas secas e polpas: O aumento da demanda incentivará a instalação de indústrias de processamento próximas às áreas de cultivo (como o Nordeste brasileiro), gerando mais empregos e valor dentro do Brasil. Em resumo: O Brasil já é o terceiro maior produtor de frutas do mundo, mas exporta apenas uma pequena fração do que produz. O acordo com a UE fornece a estrutura necessária para que o país deixe de ser apenas um grande produtor e se torne um líder global de exportação, aproveitando a janela de produção do Hemisfério Sul durante o inverno europeu.

Comentários