Ouro de Devolução e Ouro de Formatura

Dizem que o Brasil é o país do "jeitinho", mas nesta semana o país decidiu ser o país da "postura". Em Goiás, um celular vibra: R$ 200 mil. Um erro, um susto, uma fortuna que não lhe pertencia. Do outro lado, na Bahia, o cheiro do dendê se mistura ao suor de uma mãe que, entre um acarajé e outro, alimentava não só a barriga dos clientes, mas o sonho do filho. O jovem goiano não hesitou. No tempo de um clique, devolveu o que não era seu. Ele não sabia, mas ao transferir o dinheiro de volta, estava transferindo a si mesmo para uma nova realidade. O empresário, surpreso com a honestidade em tempos de escassez moral, não lhe deu apenas um "obrigado"; deu-lhe um crachá. A lição é clara: a integridade é o currículo que ninguém consegue forjar. Enquanto isso, nos corredores das universidades mais cobiçadas do país, um nome ecoa: o filho da baiana. Ele passou na USP, passou na UFBA. Ele passou, acima de tudo, pelas estatísticas que diziam que ele não chegaria lá. Sua aprovação em Medicina não é apenas um título acadêmico; é o recibo de pagamento de cada gota de suor de sua mãe na beira do tacho. Se olharmos bem, essas histórias são uma só. O jovem de Goiás devolveu o dinheiro porque aprendeu, em casa, que o que é certo não tem preço. O jovem baiano estudou até a exaustão porque aprendeu, no tabuleiro da mãe, que o que é conquistado com esforço não tem prazo de validade. No fim das contas, o Brasil que brilha hoje não é o das grandes cifras ou dos grandes cargos por herança. É o Brasil que descobre que a honestidade abre portas imediatas, mas a educação constrói os prédios inteiros. São dois "heróis" que não usam capa: um carrega a prova de que o caráter ainda é a moeda mais forte do mercado, e o outro, a prova de que o estudo é o único bisturi capaz de operar o destino.

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