Cuba restabelece energia após 29 horas de apagão em meio ao bloqueio de petróleo dos EUA.
Por Reuters
Publicado em 18 de março de 2026
A rede elétrica nacional voltou a funcionar depois que 10 milhões de habitantes de Cuba ficaram às escuras durante a noite.
Cuba religou sua rede elétrica e colocou em funcionamento sua maior usina termelétrica a óleo, disseram autoridades do setor energético, pondo fim a um apagão nacional que durou mais de 29 horas em meio a uma ação dos Estados Unidos para interromper o fornecimento de combustível da ilha.
Após os 10 milhões de habitantes do país terem ficado às escuras durante a noite, a rede elétrica nacional da ilha caribenha foi totalmente restabelecida às 18h11 (22h11 GMT) de terça-feira. No entanto, as autoridades afirmaram que a escassez de energia pode persistir devido à insuficiência na geração de eletricidade.
Além de suspender as vendas de petróleo para Cuba, o presidente dos EUA, Donald Trump, intensificou sua retórica contra a ilha governada pelos comunistas, afirmando na segunda-feira que poderia fazer o que quisesse com o país.
Um funcionário do Departamento de Estado dos EUA culpou o governo cubano pelo colapso da rede elétrica, classificando os apagões como um "sintoma da incompetência do regime falido".
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, respondeu às críticas de Washington, condenando-o pelas "ameaças públicas quase diárias contra Cuba".
“Eles pretendem e anunciam planos para tomar o controle do país, seus recursos, suas propriedades e até mesmo a própria economia que buscam sufocar para nos forçar a render”, escreveu Díaz-Canel nas redes sociais na noite de terça-feira, pouco depois do restabelecimento da energia em todo o país.
Cuba ainda não divulgou a causa da falha na rede elétrica nacional ocorrida na segunda-feira, o primeiro colapso desse tipo desde que os EUA cortaram o fornecimento de petróleo da Venezuela para a ilha e ameaçaram impor tarifas aos países que exportam combustível para o país.
Ao meio-dia de terça-feira, os trabalhadores da rede elétrica conseguiram ligar a usina Antonio Guiteras, um gigante com décadas de existência que sustenta a rede elétrica do país.
Apagões diários
A geração de eletricidade, prejudicada pela grave escassez de combustível e por usinas elétricas obsoletas, ainda está muito aquém do necessário para atender à demanda, proporcionando um alívio escasso para os cubanos já exaustos por meses de apagões.
A maioria dos cubanos, incluindo os da capital, Havana, já enfrentava 16 horas ou mais de apagões diários mesmo antes do último colapso da rede elétrica.
“Isso afeta todos os aspectos de nossas vidas”, disse Carlos Montes de Oca, morador de Havana, observando que os apagões haviam desestabilizado necessidades básicas como o fornecimento de alimentos e água. “Tudo o que podemos fazer é sentar, esperar, ler um livro… senão o estresse nos domina.”
Grande parte de Cuba permaneceu encoberta durante a tarde de segunda-feira, com a aproximação de uma frente fria que projetou sombras sobre os parques solares responsáveis por um terço ou mais da geração de energia durante o dia.
Segundo dados de rastreamento de navios da LSEG, consultados pela Reuters nesta segunda-feira, Cuba recebeu apenas duas pequenas embarcações transportando petróleo para importação este ano. Na terça-feira, um petroleiro com bandeira de Hong Kong, que possivelmente transportava combustível para Cuba, retomou a navegação após ter suspendido seu curso semanas atrás no Oceano Atlântico, conforme mostram os dados.
Cuba e os Estados Unidos iniciaram negociações com o objetivo de amenizar a crise, uma das mais graves desde 1959, quando Fidel Castro forçou a saída de um aliado americano do poder na ilha.
Nenhuma das partes forneceu detalhes sobre as negociações em andamento, embora Trump tenha retratado Cuba como desesperada para chegar a um acordo.
Os cubanos, acostumados às dificuldades, não viram outra opção senão manter a calma.
“Ainda estamos sem energia em casa”, disse Juana Perez, moradora de Havana. “Mas vamos encarar isso numa boa, como nós, cubanos, sempre fazemos.”

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