sexta-feira, 28 de março de 2025

Adolescência’. Assista, é urgente!

Crianças e adolescentes têm acesso livre às redes sociais com conteúdos que influenciam a saúde mental de maneira indiscriminada Texto da jornalista e colunista Vivian Mesquita
Sim, Jamie matou a menina. Calma, isso não é spoiler e nem resenha da mais recente minissérie da Netflix, “Adolescência”. Stephen Graham, um dos criadores, roteirista e pai de Jamie (Owen Cooper) na trama, deixa claro em todas as entrevistas que a produção nunca teve a intenção de ser um mistério policial. O foco é discutir o porquê. Quais foram as circunstâncias que levaram um jovem comum de 13 anos a assassinar uma colega de escola? A história não é baseada em fatos reais, mas a ideia surgiu de um questionamento de Graham inspirado em casos verdadeiros de meninos que atacaram meninas a facadas até a morte. “Que sociedade é essa onde garotos estão esfaqueando meninas? É preciso uma aldeia para criar uma criança, mas e se todos nós formos os responsáveis? O sistema educacional, os pais, a comunidade e o governo?”, ele pondera. “Adolescência” é um golpe de realidade e não precisa ser pai ou mãe para senti-lo. O artigo 227 do Estatuto da Criança e do Adolescente determina que é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. É dever da sociedade, mas a gente exerce esse dever? Temos a coragem de, por exemplo, denunciar e proteger as crianças “dos outros”? Denunciamos amigos, familiares ou vizinhos que negligenciam a saúde mental de suas crianças? Não, em geral, a gente não se envolve, não “se mete a colher”. Nos últimos anos, os números de casos de depressão, suicídio, ansiedade, diferentes tipos de transtornos e crimes virtuais ou não entre jovens são alarmantes. Nossas crianças e adolescentes têm acesso livre às redes sociais e plataformas com conteúdos que influenciam a saúde mental de maneira indiscriminada. Existem filtros, aplicativos de controle de uso, mas é impossível – pelo menos por hora – blindar totalmente essas mentes. E nós também ainda não aprendemos a lidar com isso. Nossas crianças são a primeira geração da era digital de acesso total sem legislações eficientes que possam protege-las de criminosos, fake news ou conteúdos violentos e tóxicos. A minissérie da Netflix não tem a intenção de culpar pais e nem esse artigo, a reflexão aqui é chamar atenção para o tema e dar luz à discussão. “Adolescência” não trata apenas de masculinidade tóxica, solidão, influências virtuais, comunidades perigosas, machismo estrutural e educação. É também sobre o abismo geracional que enfrentamos. Precisamos conversar, e estamos tão longe de diminuir esse abismo que falar sobre a proibição do uso de celular na escola, por exemplo, é uma grande polêmica! A produção já é considerada por alguns críticos uma das melhores da história e apontada como forte candidata ao Emmy – e eu nem falei da captação em plano sequência que garante uma experiência imersiva absurda. A provocação, aliás, tem fundamento: sentir na própria pele a dor de Jamie, dos pais, da irmã, da terapeuta e dos colegas da escola é urgente. Assistam e comentem aqui, vamos conversar?

segunda-feira, 24 de março de 2025

Hildegard Angel entrevista o prof João Cesar de Castro Rocha #01

Dia Mundial da Água: há o que comemorar?

Desde 2016, Brasil enfrenta intenso processo de privatização do saneamento. Hoje, três empresas controlam quase todo o setor. Até a conquista da Tarifa Social enfrenta retrocessos. Data precisa inspirar um chamado para a garantia da universalização do bem essencial Neste dia 22 de março, Dia Mundial da Água, não temos nada a comemorar. Muito pelo contrário, o Brasil vem enfrentando um intenso processo de privatizações de suas empresas de saneamento, processo que se iniciou no ano de 2016 e se aprofundou no governo Bolsonaro. Como consequência, assistimos à piora na qualidade dos serviços, ao aumento abusivo de tarifas e à exclusão das pessoas mais pobres que vivem nas comunidades, nos morros, nas áreas rurais e nos quilombos. Vem se consolidando um processo de financeirização e oligopolização da prestação dos serviços. Hoje, três empresas controlam quase todo o setor onde houve privatização, jogando por terra o argumento daqueles que defendiam a “abertura do setor para ter mais competitividade”. Além disso, vem se intensificando as demissões em massa de trabalhadores, tudo com vistas a reduzir custos e garantir maiores lucros e altos salários para os dirigentes das empresas. Por sua vez, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que deveria cumprir um papel de indutor do desenvolvimento social e econômico e ajudar a fortalecer as empresas públicas de saneamento, vem servindo aos interesses do setor privado, modelando, incentivando e financiando as privatizações. A outorga onerosa, instrumento pelo qual “quem paga mais pelo serviço leva”, tem se transformado em uma forma de captação de recursos por parte de governantes estaduais e municipais — dinheiro fácil que não é investido em saneamento. Os usuários dos serviços tiveram, recentemente, uma importante conquista com a aprovação da Lei 14.898/2024, que institui as diretrizes para a Tarifa Social de Água e Esgoto em âmbito nacional. Essa lei garante às pessoas mais pobres, em situação de vulnerabilidade, o direito à tarifa social, desde que estejam inscritas no CadÚnico, recebam até meio salário mínimo ou sejam beneficiárias do BPC (Benefício de Prestação Continuada). No entanto, temos acompanhado resistências por parte de alguns prestadores e de algumas agências reguladoras, que não se empenham em garantir esse direito. Vivemos um período em que as mudanças climáticas impactarão diretamente o setor de saneamento básico. Em relação à disponibilidade, estamos sujeitos à escassez, o que leva à competição pelo controle da água por aqueles que fazem uso intensivo, seja o agronegócio ou o setor industrial. A qualidade pode ser comprometida por causa da superexploração das águas superficiais e subterrâneas e do aumento de agentes poluidores. Eventos extremos, como os que acompanhamos no Rio Grande do Sul, destroem infraestruturas e deixam milhares de pessoas sem água. Além disso, as condições de pagamento são afetadas na medida em que aumenta a disputa pela água. Apesar desse cenário preocupante, quando analisamos os contratos de privatização, não encontramos instrumentos de políticas de resiliência que contemplem estratégias para promover a adaptação e a gestão sustentável dos recursos hídricos. Não há previsões de fortalecimento e priorização do planejamento e da governança, nem planos de mitigação que considerem riscos climáticos e estabeleçam metas e ações dirigidas. Mecanismos de participação e controle social são ignorados, e não há previsão de envolvimento da sociedade em consultas públicas para contribuir com sugestões e ideias. Ações que poderiam contribuir para uma atuação mais resiliente e sustentável no enfrentamento dos desafios climáticos são simplesmente ignoradas. Por tudo isso, concluímos que realmente não há o que comemorar. Fazemos um chamamento para que todas e todos, comprometidas e comprometidos com a defesa do saneamento público e com a garantia da universalização do acesso, se unam e se mobilizem para exigir mudanças nas políticas públicas que enfraquecem os prestadores públicos e fortalecem os agentes de mercado, transformando a água em mercadoria. Seguimos reafirmando: Água é Direito, não Mercadoria!

terça-feira, 18 de março de 2025

Pepe Escobar no Brasil 247 #02

Anistia não! Golpistas na prisão!

Um golpe de Estado é definido como subversão da ordem institucional. No Brasil, desde nossa existência como nação soberana já tivemos páginas infelizes de nossa História, com golpes consumados, do é melhor exemplo a infame ditadura militar que durou de 1964 a 1985, calou a democracia, torturou, exilou e matou centenas de pessoas, militantes, intelectuais, artistas, jornalistas, estudantes, políticos. A conquista do Estado Democrático de Direito e a instituição da nova ordem jurídica com a Constituição de 1988, foram feitas à custa de muita luta, suor, lágrimas, dores, perdas. Na nossa atual quadra histórica, décadas após nossa redemocratização, voltamos a conviver com o avanço de forças de extrema direita no mundo – nosso país incluído - que não possuem qualquer apego às conquistas democráticas, difundindo uma linguagem de violência, com discurso contra a própria ideia de inclusão e diversidade, defendendo nas ruas explicitamente pautas antidemocráticas, como o fechamento do Supremo Tribunal Federal e a intervenção militar. Essas forças engendraram no Brasil a tomada de poder pela via do golpe. Não aceitando o resultado eleitoral nas eleições presidenciais de 2022 praticaram diversos atos, bloqueando rodovias federais, incendiando ônibus, colocando bomba em aeroporto, ocupando a frente dos quartéis em constantes ameaças. Atos que culminaram com o dia 08 de janeiro de 2023, com a depredação dos prédios dos Três Poderes. Segundo as investigações da Polícia Federal feitas durante dois anos, que deu base à apresentação da denúncia pelo Procurador-Geral da República Paulo Gonet no dia 18 de fevereiro, o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu candidato a vice na chapa, general da reserva Walter Braga Netto foram os líderes da organização criminosa, em uma trama conspiratória contra as instituições democráticas. Não apenas sabiam, mas conspiraram com o plano de assassinar o presidente Lula, o vice Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, em 2022. Na tentativa de blindar e salvar os golpistas, os parlamentares da extrema direita tentam aprovar no Congresso Nacional um projeto de lei que lhes conceda anistia. Aliados a uma postura de vitimização, os defensores da anistia aos golpistas investem na desinformação da população, onde as pessoas que destruíram os prédios são apontadas como cidadãos “de bem”, de família, que espontaneamente teriam se manifestado, no que seria um fato isolado que afetou o patrimônio público. Quando na verdade tratou-se da face violenta desse conjunto de preparativos, articulações de conjunturas, de maquinações que vinham sendo feitas desde 2021. O Congresso Nacional é um dos esteios de nossa democracia representativa. Como o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal teve sua sede foi depredada, vilipendiada no dia 8 de janeiro. Não se mostra razoável, sensato ou coerente a aprovação de um projeto de lei dentro da instituição que foi, ela mesma, vítima de ataques virulentos, para anistiar seus algozes. Na compreensão de que é necessário esclarecer a população brasileira sobre fatos e versões nesse debate jurídico-político que envolve crimes, golpes, anistia e defesa da democracia, sobre as verdadeiras intenções de um projeto de lei que busca anistiar quem atentou contra os pilares da democracia no Brasil, praticando os crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e Associação Criminosa, além dos danos ao patrimônio, a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia – ABJD, entidades de juristas comprometida desde sua origem com a defesa intransigente dos princípios que regem nossa Constituição Federal, lança a campanha Por meio de textos, vídeos, lives e atos presenciais explicativos sobre todos os fatos, nos colocamos e convocamos todos aqueles que possuem compromisso com a democracia para disputar a narrativa sobre a tentativa de golpe no Brasil, para que haja resposta social, Justiça nos julgamentos e sobretudo para que nunca mais se repita. #AnistiaNãoGolpitasnaPrisão

Caetano Veloso um camaleão da música universal,

Caetano Veloso é uma das figuras mais emblemáticas e influentes da cultura brasileira. Nascido em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, em ...